Impacto da rigidez de mola dos conectores no comportamento sísmico com base no Eurocódigo

Kerstin Oppel, Robert Gannon, Iman Iravani
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Artigo

O uso da rigidez elástica dos conectores no dimensionamento sísmico pode levar a resultados de projeto diferentes em comparação com as hipóteses idealizadas de ligações fixas ou articuladas, dependendo da configuração do sistema e dos parâmetros de entrada.

Introdução ao tema

No cenário atual da construção civil, o dimensionamento sísmico desempenha um papel cada vez mais importante para componentes não estruturais de instalações mecânicas, elétricas e hidráulicas (MEP) em diversas regiões, dependendo dos códigos aplicáveis e dos requisitos sísmicos locais. O Eurocódigo 8 (EC8) deixa um ponto muito claro: a rigidez de um sistema de suporte tem impacto direto nas forças sísmicas que atuam sobre ele. Dependendo da configuração, essa influência pode favorecer significativamente o dimensionamento ou prejudicar consideravelmente os resultados do cálculo. Compreender esses efeitos é fundamental, e os capítulos seguintes explorarão detalhadamente os princípios mecânicos envolvidos.

Um fator essencial para obter uma análise sísmica realista e confiável é a representação correta do comportamento dos conectores. A introdução da rigidez de mola na análise reduz a distância entre as hipóteses teóricas e a resposta real dos sistemas modulares de suporte:

  • Quando uma conexão é considerada rígida, a aplicação de sua rigidez de mola real geralmente indica um comportamento mais flexível do que o assumido em condições idealizadas.

  • Por outro lado, quando uma conexão é considerada articulada, os valores de rigidez medidos frequentemente demonstram que a ligação não gira tão livremente quanto uma articulação ideal.

Esse refinamento não é apenas um exercício acadêmico; trata-se de uma etapa fundamental para alcançar projetos sísmicos mais confiáveis, otimizados e em conformidade com os requisitos normativos.

Impacto da rigidez de um suporte modular na força de projeto sísmico segundo os cálculos do Eurocódigo (EC8)

As forças sísmicas que atuam sobre componentes não estruturais são normalmente determinadas com base no peso do componente e no coeficiente de resposta sísmica. Esse coeficiente depende da aceleração espectral, dos parâmetros do solo, do fator de importância e do fator de amplificação (A). Por sua vez, o fator de amplificação é influenciado pela altura da edificação (H), pela altura em que o suporte modular está localizado na edificação (z), pelo período natural da edificação (T₁) e pelo período natural do suporte modular (Tₐ) considerado na análise, conforme mostrado na fórmula.

Fórmula 1

(EN 1998-1:2004 eq. 4.25)

Isolando o fator de amplificação A:

Fórmula 2

Como o período natural depende diretamente da rigidez, a rigidez de mola dos componentes não estruturais influencia diretamente o período fundamental do suporte modular, Tₐ.

Em resumo, incorporar valores realistas de rigidez de mola ao modelo de suportes modulares MEP não estruturais não é apenas uma boa prática de engenharia, mas também tem impacto direto nas forças de projeto sísmico devido ao seu efeito sobre o fator de amplificação (A).

Efeito do ajuste do período e da rigidez na amplificação sísmica

De acordo com o Eurocódigo, quando o período do componente Tₐ se aproxima do período fundamental da estrutura T₁, ocorre uma condição semelhante à ressonância, resultando na amplificação máxima.

Quando uma conexão articulada idealizada é substituída por uma rigidez de mola mais realista, passa-se efetivamente de uma condição mais flexível para uma mais rígida. Isso pode resultar em uma redução de Tₐ.

  • Quando Tₐ / T₁ > 1, a redução de Tₐ aproxima o sistema da condição de ressonância, aumentando o fator de amplificação (Aₐ). Como resultado, a demanda sísmica aumenta (Figura A).

  • Quando Tₐ / T₁ < 1, a redução de Tₐ afasta o sistema da condição de ressonância, resultando em uma diminuição de Aₐ. Consequentemente, as cargas sísmicas são reduzidas (Figura B).

Figura A

Figura A

Figura B

Figura B

Quando uma conexão modelada como rígida é substituída por sua rigidez de mola real, o sistema se torna mais flexível. Em outras palavras, a rigidez diminui e o período do componente Tₐ aumenta.

  • Quando Tₐ / T₁ < 1, o aumento de Tₐ aproxima o sistema da condição de ressonância. Isso resulta em um aumento do fator de amplificação (Aₐ) e, consequentemente, das cargas sísmicas (Figura C).

  • Quando Tₐ / T₁ > 1, o aumento de Tₐ afasta o sistema da condição de ressonância. Isso leva a uma redução de Aₐ e, consequentemente, a uma diminuição das cargas sísmicas (Figura D).

Figura C

Figura C

Figura D

Figura D

Conclusão

Com os avanços mais recentes nas ferramentas de análise e dimensionamento estrutural, agora é possível modelar conectores utilizando valores de rigidez de mola. Essa melhoria permite representar de forma mais realista os comportamentos de deformação e rotação, com base em dados de ensaio disponíveis e em premissas de engenharia. A Hilti iniciou a integração de recursos de modelagem por rigidez de mola para apoiar análises estruturais mais detalhadas de suportes MEP não estruturais. Esses recursos foram desenvolvidos para auxiliar engenheiros na avaliação de alternativas de projeto dentro dos requisitos dos códigos aplicáveis e das necessidades específicas de cada projeto.

A modelagem realista da rigidez de mola pode ser fundamental no dimensionamento sísmico de sistemas de suporte MEP, pois a rigidez controla diretamente o período do componente Tₐ, que por sua vez influencia o fator de amplificação e as forças sísmicas resultantes. Dependendo de como a rigidez real torna o sistema mais rígido ou mais flexível, Tₐ pode se aproximar ou se afastar do período da edificação T₁, aumentando ou reduzindo os efeitos de ressonância.

Esse comportamento destaca a importância crítica de representar corretamente a flexibilidade dos suportes nas análises sísmicas. A transição de condições de contorno idealizadas para valores realistas de rigidez de mola altera de forma significativa as características dinâmicas do sistema, podendo aumentar ou reduzir a demanda sísmica dependendo da interação entre o período do suporte modular Tₐ e o período real da estrutura T₁. Quando esses períodos mudam sua relação entre si, a estrutura pode entrar em regiões de maior ou menor aceleração espectral, influenciando diretamente as forças de projeto e as demandas de deformação. Isso demonstra que confiar apenas em hipóteses simplificadas de condições de contorno pode ocultar variações significativas na resposta sísmica. Ao incorporar valores realistas de rigidez às análises estruturais, os engenheiros obtêm uma compreensão muito mais confiável do comportamento real do sistema, resultando em projetos mais representativos e fundamentados.

Essas atualizações são facilitadores estratégicos que ajudam a elevar a capacidade de desenvolver projetos otimizados em custo e de alto desempenho, ao mesmo tempo em que proporcionam maior confiança no projeto e contribuem para a sustentabilidade.